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O Modelo de Pequeno Porte (MPP) do Banco Central do Brasil

Programa e informações gerais do curso

1 Resumo

O curso apresenta e implementa versões dos modelos semiestruturais de pequeno porte usados nas discussões do Comitê de Política Monetária (COPOM). Introduzido por Bogdanski, Tombini e Werlang (2000) junto com o regime de metas para a inflação, o MPP evoluiu bastante desde então e segue como a principal ferramenta de apoio à decisão do Banco Central do Brasil.

“Pequeno porte” descreve a escolha de método: poucas equações, cada uma com contrapartida direta na teoria econômica — a formação de preços, a demanda agregada, o câmbio e a reação da autoridade monetária. Essa parcimônia é o que torna o modelo transparente o bastante para embasar uma decisão de política monetária e discutir seus resultados equação a equação.

O percurso é aplicado do início ao fim. Depois da apresentação do modelo, duas aulas são dedicadas ao Model Object do EViews, a estrutura que trata um conjunto de equações como um sistema único e permite simular e projetar. A ferramenta é exercitada primeiro num “modelo brinquedo”, pequeno o bastante para que cada resultado seja conferido à mão, e depois na análise de funções de resposta ao impulso, que mostram como cada choque se propaga pelo sistema.

As quatro aulas finais implementam, uma a uma, as equações do modelo de metas de inflação: a curva de Phillips, a curva IS, a paridade descoberta de juros, que determina o câmbio, e a regra de política monetária. Ao final, o modelo completo roda no EViews e gera projeções a partir de um cenário.

É um curso voltado a quem já conhece o terreno: pressupõe familiaridade prévia com o MPP, com o EViews e com as técnicas de estimação envolvidas.

Categoria Bancos Centrais
Carga horária total 32 horas
Horas de vídeo 16 horas
Número de aulas 9 aulas
Formato Curso online, com material e vídeos disponíveis para assistir quando quiser
Professor Luciano Vereda Oliveira (Doutor em Economia, PUC-Rio)
Software EViews
Nível Avançado

2 Objetivo do curso

Apresentar e implementar o modelo de pequeno porte usado nas discussões do COPOM, da estrutura geral até um sistema completo, montado equação a equação no Model Object do EViews, que simula choques e gera projeções.

A ênfase é operacional. O objetivo não se encerra em entender o modelo: é ser capaz de reproduzi-lo, reestimá-lo a cada nova rodada de dados e defender os números que ele produz.

3 Para quem é

  • Economistas e analistas que acompanham as decisões do COPOM e querem reproduzir o instrumental por trás delas.
  • Profissionais de bancos centrais, tesourarias, gestoras e consultorias que produzem projeções de inflação e precisam de um modelo defensável.
  • Pesquisadores e estudantes de pós-graduação que trabalham com modelos semiestruturais aplicados à economia brasileira.
  • Usuários de EViews que querem sair da estimação de equações isoladas para a construção e simulação de um sistema completo.

4 Pré-requisitos e Habilidades

Pré-requisitos

Este é um curso avançado, que começa de onde a teoria já foi vista. Ele pressupõe familiaridade prévia com:

  • O modelo de pequeno porte (MPP) e a literatura de modelos semiestruturais.
  • O software EViews.
  • As técnicas usadas na estimação desse tipo de modelo.

O que você será capaz de fazer

  • Situar o MPP no conjunto de modelos de projeção utilizados pelo Banco Central do Brasil e entender por que ele continua central nas discussões do COPOM.
  • Usar o Model Object do EViews para reunir as equações num sistema único e resolvê-lo de forma simultânea.
  • Simular um modelo brinquedo para ver, num caso pequeno, como o sistema é resolvido e como cada hipótese altera a trajetória das variáveis.
  • Aplicar choques ao modelo e analisar as funções de resposta ao impulso, medindo como cada choque se propaga e por quanto tempo afeta a inflação.
  • Implementar no EViews as equações do modelo de metas de inflação — curva de Phillips, curva IS, paridade descoberta de juros e regra de política monetária — com as escolhas que cada uma exige.
  • Montar e rodar o MPP de ponta a ponta, gerando projeções a partir de um cenário.

Habilidades e ferramentas

Habilidades: implementação de modelos semiestruturais, montagem e simulação de sistemas de equações simultâneas, construção de cenários e projeções, aplicação de choques e análise de funções de resposta ao impulso.

Ferramentas: EViews, com destaque para o Model Object — a estrutura que trata um conjunto de equações como um modelo único, resolve o sistema e gera as simulações.

Referência: Bogdanski, Tombini e Werlang (2000), o trabalho que introduziu o modelo junto com o regime de metas para a inflação, e as versões posteriores publicadas pelo Banco Central.

5 Programa Detalhado

As 16 horas de vídeo do curso estão organizadas em nove aulas, em sequência: apresentar o modelo, dominar a ferramenta que une as equações, exercitá-la num modelo brinquedo e nas funções de resposta ao impulso e, por fim, implementar uma a uma as equações do modelo de metas de inflação.

Aula 1 — Apresentação do Modelo de Pequeno Porte do BCB

Ponto de partida do curso: onde o MPP se encaixa no conjunto de modelos que o Banco Central usa para projetar a inflação e o que distingue um modelo semiestrutural de alternativas puramente estatísticas. A aula apresenta a estrutura do modelo — formação de preços, demanda agregada, câmbio e reação da autoridade monetária — e o papel de cada equação na transmissão da política monetária.

  • Os modelos de projeção utilizados pelo BCB.
  • Estrutura do MPP e a lógica de cada equação.
  • Evolução do modelo desde Bogdanski, Tombini e Werlang (2000).

Aula 2 — Apresentação do Model Object do EViews – Parte 1

Equações estimadas isoladamente ainda não formam um modelo. O Model Object é a estrutura do EViews que reúne esse conjunto num sistema resolvido de forma simultânea, com as interdependências entre juros, atividade, câmbio e preços tratadas de uma vez. A primeira parte apresenta a ferramenta: como criar o objeto, incluir equações e identidades, declarar variáveis endógenas e exógenas e obter a primeira solução do sistema.

  • Criação do Model Object e inclusão de equações e identidades.
  • Variáveis endógenas e exógenas.
  • Primeira solução do sistema.

Aula 3 — Apresentação do Model Object do EViews – Parte 2

Continuação da ferramenta, agora voltada a cenários e simulação. Como definir um cenário base e cenários alternativos, controlar o horizonte e o método de solução e organizar as saídas para comparação. É a parte que viabiliza a projeção e a análise de choques das aulas seguintes.

  • Cenários base e alternativos.
  • Métodos de solução e horizonte de simulação.
  • Organização e leitura das saídas.

Aula 4 — Simulações com “Modelo Brinquedo”

Antes do MPP completo, um modelo pequeno — com poucas equações e parâmetros conhecidos — serve de laboratório. Nele, cada resultado pode ser conferido à mão, o que torna visível como o Model Object resolve o sistema e como uma mudança de hipótese altera a trajetória das variáveis.

  • Montagem do modelo brinquedo no Model Object.
  • Simulação de cenários e verificação dos resultados.
  • Leitura das trajetórias simuladas.

Aula 5 — Função Resposta ao Impulso

Como cada choque se propaga pelo sistema. A aula mostra como aplicar um choque a uma variável do modelo, calcular a resposta das demais ao longo do tempo e interpretar magnitude, sinal e persistência — o teste de que o modelo reproduz os mecanismos que se espera dele.

  • Aplicação de choques no Model Object.
  • Cálculo e leitura das funções de resposta ao impulso.
  • Magnitude, sinal e persistência dos efeitos.

Aula 6 — Implementação do Modelo de Metas de Inflação – Parte 1 (Curva de Phillips)

Começa a implementação do modelo de metas de inflação, equação a equação. A curva de Phillips descreve a formação de preços: a inflação responde às expectativas, à inércia, ao hiato do produto e ao repasse cambial. A aula discute a especificação, as escolhas de estimação e a inclusão da equação no sistema.

  • Especificação da curva de Phillips do MPP.
  • Expectativas, inércia, hiato do produto e repasse cambial.
  • Estimação e inclusão no Model Object.

Aula 7 — Implementação do Modelo de Metas de Inflação – Parte 2 (Curva IS)

A demanda agregada. A curva IS liga o hiato do produto à taxa de juros real e aos demais determinantes da atividade, e é por ela que a política monetária chega ao produto. Especificação, estimação e inclusão da equação no sistema.

  • Especificação da curva IS do MPP.
  • Juros reais, hiato e a transmissão da política monetária.
  • Estimação e inclusão no Model Object.

Aula 8 — Implementação do Modelo de Metas de Inflação – Parte 3 (Paridade Descoberta de Juros)

A equação do câmbio. No MPP, a taxa de câmbio é determinada pela paridade descoberta de juros: o diferencial entre os juros domésticos e externos, somado ao prêmio de risco, governa a trajetória esperada do câmbio. A aula trata da especificação da condição e do papel do câmbio na transmissão para a inflação.

  • A condição de paridade descoberta de juros.
  • Diferencial de juros e prêmio de risco.
  • Inclusão da equação e o canal cambial.

Aula 9 — Implementação do Modelo de Metas de Inflação – Parte 4 (Regra de Política Monetária)

Fecha o modelo. A regra de política monetária descreve a reação da autoridade monetária ao desvio da inflação esperada em relação à meta e ao hiato do produto. Com as quatro equações reunidas no Model Object, o modelo completo roda de ponta a ponta e gera projeções a partir de um cenário.

  • Especificação da regra de política monetária do MPP.
  • Reação à inflação esperada, à meta e ao hiato.
  • Modelo completo: solução e projeções.

6 Professor

Luciano Vereda Oliveira — graduado em Engenharia Elétrica pela PUC-Rio (1990) e doutor em Economia pela PUC-Rio (2004). Foi professor do Instituto de Gestão de Riscos Financeiros e Atuariais da PUC-Rio entre 2005 e 2010. É professor associado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro do programa de Pós-Graduação em Economia da instituição, com experiência em Finanças (com ênfase em modelos para a curva de juros) e em Macroeconomia (em especial modelos DSGE).

Já prestou serviços de treinamento e consultoria para BB Asset Management, Banco do Brasil, Petrobras, PREVI, FAPES/BNDES, CNseg, Escola Nacional de Seguros (FUNENSEG), Bradesco Vida e Previdência e Itaú-Unibanco.

7 Inscrição

A matrícula dá acesso às nove aulas do curso e ao material de apoio, com garantia de reembolso em até 7 dias.