1 Resumo
Os modelos DSGE (Dynamic Stochastic General Equilibrium) são a principal ferramenta de análise macroeconômica usada na academia, nos bancos centrais e no mercado financeiro. Eles descrevem a economia a partir das decisões ótimas de famílias, firmas e autoridades sujeitas a restrições, o que permite avaliar política monetária e responder a perguntas contrafactuais com disciplina teórica. Este curso oferece uma introdução rigorosa e aplicada a esse arcabouço, ligando teoria, modelagem e evidência empírica.
O caminho vai do modelo Novo-Keynesiano básico — derivação da Curva de Phillips, da Curva IS intertemporal e da regra de Taylor — até o modelo CHORINHO, calibrado para a economia brasileira. Nada fica só no papel: cada bloco teórico é seguido de implementação computacional no DYNARE, com cálculo do steady state, log-linearização, diagnóstico de indeterminação e análise de funções de resposta a impulso.
O curso também confronta o modelo com os dados. As respostas teóricas a choques monetários, fiscais e de produtividade são comparadas com as estimadas por modelos VAR identificados, o que expõe onde o modelo básico acerta, onde ele falha e por que extensões como formação de hábito e custos de ajustamento do investimento se tornaram padrão na literatura.
O trecho final é dedicado ao Brasil: economia aberta, exportação de commodities e prêmio de risco entram no modelo, e o CHORINHO, de Kanczuk (2015), é derivado, codificado e simulado para analisar como a economia brasileira responde aos principais choques macroeconômicos.
| Categoria | Bancos Centrais |
| Carga horária total | 44 horas |
| Horas de vídeo | 22 horas |
| Número de seções | 11 seções |
| Formato | Curso online, com material e vídeos disponíveis para assistir quando quiser |
| Professor | Luciano Vereda Oliveira (Doutor em Economia, PUC-Rio) |
| Software | DYNARE |
| Nível | Intermediário a avançado |
2 Objetivo do curso
Introduzir os principais conceitos da modelagem DSGE, partindo de um modelo básico até a aplicação do modelo CHORINHO para a economia brasileira, com implementação prática no software DYNARE.
O curso é construído sobre um princípio: cada equação é derivada antes de ser codificada. Em vez de rodar modelos prontos, você entende de onde vem cada termo, o que cada parâmetro significa e por que o modelo se comporta como se comporta — para então escrever, depurar e simular o código por conta própria.
3 Para quem é
- Economistas e analistas com formação em macroeconomia intermediária que querem compreender e aplicar modelos DSGE de forma rigorosa.
- Profissionais de bancos centrais, instituições financeiras e órgãos públicos que precisam ler, avaliar ou produzir análises baseadas nesse arcabouço.
- Pesquisadores e estudantes de pós-graduação que vão usar DSGE em dissertações, teses ou trabalhos aplicados.
- Quem já conhece a teoria macroeconômica e quer dar o passo que costuma faltar: transformá-la em um modelo que roda e produz resultados.
4 Pré-requisitos e Habilidades
Pré-requisitos
Formação em macroeconomia de nível intermediário. O curso é voltado a economistas, analistas e profissionais que querem compreender e aplicar modelos DSGE de forma rigorosa.
O que você será capaz de fazer
- Entender o que é um modelo DSGE e por que bancos centrais e mercado o utilizam.
- Derivar as equações do modelo Novo-Keynesiano básico e interpretar seus parâmetros.
- Escrever, rodar e depurar modelos no DYNARE do zero.
- Verificar as condições de unicidade da solução e diagnosticar indeterminação.
- Gerar e interpretar funções de resposta a impulso, confrontando-as com evidência empírica de modelos VAR.
- Implementar e calibrar o modelo CHORINHO para a economia brasileira.
- Simular a resposta da economia brasileira aos principais choques macroeconômicos.
Habilidades e ferramentas
Habilidades: derivação e fechamento de modelos de equilíbrio geral, log-linearização e cálculo de steady state, solução sob expectativas racionais pelo método de Blanchard-Kahn, calibração de parâmetros, análise de IRFs e leitura crítica dos resultados à luz da conjuntura.
Ferramentas: DYNARE como software principal de implementação. Referências teóricas: Woodford (2003), Galí (2015), Clarida et al. (1999), Smets & Wouters (2003, 2007), Blanchard & Kahn (1980), Kanczuk (2015) e a documentação oficial do DYNARE.
5 Programa Detalhado
O curso é organizado em onze seções de duas horas de vídeo cada, na sequência abaixo. A ordem importa: cada seção depende da anterior, alternando derivação teórica e implementação no DYNARE.
Seção 1 — Fundamentos dos modelos DSGE
Apresentação da abordagem de equilíbrio geral dinâmico e estocástico e por que ela se tornou central na análise macroeconômica. A seção estabelece o vocabulário do curso — agentes otimizadores, restrições, choques e expectativas racionais — e mostra o mapa do percurso até o CHORINHO. O DYNARE já é instalado aqui, para que a parte computacional acompanhe a teoria desde o começo.
- O que é um modelo DSGE e por que bancos centrais e mercado o utilizam.
- Decisões ótimas de famílias, firmas e autoridades sob restrições.
- Estrutura geral do modelo básico e visão do caminho do curso.
- Primeiro contato com o DYNARE: instalação e ambiente de trabalho.
Seção 2 — Equilíbrio com preços flexíveis e a Curva de Phillips
Derivação do bloco de oferta do modelo básico. O ponto de partida é a economia com preços flexíveis, que define as referências de produto potencial e taxa de juros natural. A rigidez de preços entra pela hipótese de Calvo, de onde sai a Curva de Phillips Novo-Keynesiana e a leitura econômica de cada parâmetro.
- Determinação do equilíbrio com preços flexíveis.
- Produto potencial e taxa de juros natural.
- Hipótese de Calvo e derivação da Curva de Phillips Novo-Keynesiana.
- Interpretação econômica dos parâmetros.
Seção 3 — Curva IS intertemporal e regra de política monetária
Derivação do bloco de demanda e do comportamento do Banco Central. A Curva IS intertemporal vem da decisão de consumo das famílias, e a regra de Taylor descreve como a autoridade monetária reage à inflação. Com as três equações reunidas, o modelo básico fica fechado e pronto para virar código.
- Derivação da Curva IS intertemporal.
- Regra de Taylor e a resposta do BC à inflação.
- Fechamento do modelo básico (sistema de equações).
- Preparação para a implementação computacional.
Seção 4 — Implementação do modelo básico no DYNARE
Mão na massa: escrevendo o código do modelo do zero. A seção percorre a anatomia de um arquivo .mod — blocos de variáveis, parâmetros, equações e choques — e trata dos dois passos que costumam travar quem começa: encontrar o steady state e log-linearizar em torno dele. Ao final, o modelo roda e as saídas passam a ser lidas com critério.
- Estrutura de um arquivo
.modno DYNARE. - Declaração de variáveis, parâmetros, equações e choques.
- Steady state e log-linearização.
- Rodando o modelo e lendo as saídas.
Seção 5 — Unicidade da solução e o princípio de Taylor
Condições para que o equilíbrio seja único e bem definido. Um modelo pode rodar sem erro e ainda assim não ter solução econômica válida. Aqui entra o método de Blanchard-Kahn, a contagem de autovalores e a justificativa formal do princípio de Taylor, além de como reconhecer e corrigir indeterminação nas mensagens do DYNARE.
- Solução de modelos lineares sob expectativas racionais (Blanchard-Kahn).
- Condições de determinação e unicidade do equilíbrio.
- Justificativa formal do princípio de Taylor.
- Diagnóstico de indeterminação no DYNARE.
Seção 6 — Respostas impulsionais: DSGE e mundo real
Confronto entre as respostas teóricas e as observadas na economia. As IRFs traduzem o modelo em previsões testáveis: o que acontece com produto, inflação e juros depois de um choque. Comparando-as com as respostas estimadas por VARs identificados, fica claro onde o modelo básico descreve bem os dados e onde ele precisa de ajuda.
- Funções de resposta a impulso (IRFs) do modelo básico.
- Choques monetários, fiscais e de produtividade.
- Respostas da vida real via modelos VAR identificados.
- Onde o modelo básico acerta e onde ele falha.
Seção 7 — Enriquecendo o modelo básico
Extensões que aproximam o modelo dos dados. Formação de hábito no consumo e custos de ajustamento do investimento dão ao modelo a persistência que se observa nas séries reais. É também o momento de justificar a escolha do modelo brasileiro do curso: por que o CHORINHO, e não o SAMBA, do Banco Central.
- Formação de hábito no consumo.
- Custos de ajustamento do investimento em capital.
- Motivação para um modelo voltado ao Brasil.
- Do SAMBA ao CHORINHO: por que escolher o modelo menor.
Seção 8 — A economia brasileira no modelo
Peculiaridades da economia aberta brasileira. Um modelo de economia fechada não dá conta do Brasil: câmbio, setor externo, exportação de commodities e prêmio de risco na captação internacional mudam a transmissão dos choques. O arcabouço de Galí & Monacelli para economias abertas pequenas serve de referência.
- Economia relativamente aberta e o setor externo.
- Exportação de commodities.
- Prêmio de risco e captação nos mercados internacionais.
- Referência: Galí & Monacelli (economia aberta pequena).
Seção 9 — CHORINHO: estrutura e derivação
Apresentação detalhada do modelo de Kanczuk (2015). Cada bloco é derivado e discutido — famílias, firmas, setor externo e política econômica — junto das equações de equilíbrio e da calibração dos parâmetros. A comparação com o modelo básico mostra o que cada peça adicional acrescenta ao comportamento do modelo.
- Blocos do modelo: famílias, firmas, setor externo e política.
- Equações de equilíbrio e calibração.
- Interpretação econômica dos mecanismos.
- Comparação com o modelo básico.
Seção 10 — CHORINHO no DYNARE
Implementação computacional completa. O CHORINHO é codificado do zero no DYNARE, com steady state, calibração e as verificações que confirmam que o modelo está correto. A seção trata também de depuração e de organização de código, para que o modelo continue utilizável depois do curso.
- Codificação do CHORINHO no DYNARE.
- Steady state e calibração dos parâmetros.
- Depuração e verificação do modelo.
- Boas práticas de organização do código.
Seção 11 — Simulação e comportamento da economia brasileira
Uso do modelo para análise aplicada e encerramento. Com o modelo rodando, ele passa a responder perguntas: como a economia brasileira reage a um aperto monetário, a um choque de commodities ou a uma piora do prêmio de risco. Os resultados são interpretados à luz da conjuntura, fechando o percurso da teoria à simulação.
- Simulação do CHORINHO.
- Respostas da economia brasileira aos principais choques macroeconômicos.
- Interpretação dos resultados à luz da conjuntura.
6 Professor
Luciano Vereda Oliveira — doutor em Economia pela PUC-Rio e professor associado da Universidade Federal Fluminense (UFF), com ampla experiência em macroeconomia aplicada, modelos DSGE e curva de juros. Atuou como consultor e instrutor para instituições financeiras, empresas e órgãos públicos.
7 Inscrição
A matrícula dá acesso às onze seções do curso e a todo o material de apoio, incluindo os arquivos .mod do DYNARE. Garantia de reembolso incondicional em até 7 dias.
